A Mantiqueira

O pouso das águas...
Tupis ou Jês

A chama consome a lenha
o calor agita o ar
a história é a fumaça.

O riacho e suas pedras
o vento na serra, o horizonte, o azul.
Hoje, apenas nós.

Pedaços do passado...
Felicitações reais!
Os reinos estão por aqui.
Palavras-legados abriram seus quintais.

A chama durou um tempo
o tempo não parou de contar.
Cinzas ao vento.

Na serra ainda verte,
mas não o seu nome,
tempos idos.

Pedaços do passado...
Felicitações reais!
Áureos tempos, tempo de encontrar.
Palavras-legados abriram seus quintais.

A chama consome a lenha...
(lap)


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sábado, 30 de julho de 2016

O Desencantamento
O princípio da análise na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer relacionam a conclusão de Weber com o mundo pós-guerra: o mundo racional-burocrático passa por um processo de desencantamento. O que isso significa?  Para tentar localizar este desencantamento, eles percorrem um caminho histórico desde as sociedades indígenas, para indicar que a separação cultura X natureza é o ingrediente básico e essencial para o nascimento da divisão do trabalho como conhecemos e para o nascimento da dominação.
A natureza é o instável, é aquilo que não se conhece, mas é aquilo que se tenta sempre conhecer. O medo propulsiona o sujeito para o conhecimento e o faz interpretar a natureza de forma que ele mesmo é parte da interpretação. Aí nasce o mito. O mito é uma reflexão sobre a natureza: é uma maneira de indicar um nascimento, de explicar o presente e de evocar um futuro não tão distante. No mito, tudo acontece com um objetivo claro e tudo tem significado, mas além disso, tudo tem relação direta com a sociedade em que o mito foi criado. Não existem mitos “distanciados” da realidade vivida, vistos de maneira “neutra” e “afastada”.
O irracionalismo dos mitos foi deixado para trás desde Platão e a tentativa de pensar o mundo como objeto, ou seja, pensar o mundo sem se identificar com ele, se iniciou. O nascimento da filosofia se dá sobre uma tentativa de se afastar da mitologia, mas ainda antes disso, um outro acontecimento foi decisivo para a mudança das formas de dominação. Se antes a dominação era diretamente ligada ao trabalho, à modificação da natureza (se dominava a natureza), depois do nascimento da noção de propriedade privada autorizada, com a fixação das tribos em terras estáveis de cultivo (deixando o nomadismo no passado), a dominação se separou do trabalho.
Os que não trabalhavam poderiam ser dominadores, pois poderiam exercer poder tendo propriedade dos meios de produção. Para os autores, os próprios mitos já mostravam a formação da divisão do trabalho, como quando Ulisses, para passar pelas sereias (na Ilíada), coloca cera nos ouvidos de todos os marujos remadores, com objetivo de que consigam trabalhar a pleno vapor, enquanto ele próprio é amarrado ao barco, para conseguir escutar o canto das sereias. Eis aí uma divisão do “empregador” e do “empregado”.
Quando, a partir do saber filosófico desenvolvido na Grécia, o homem passa a não mais se identificar com o mundo, mas se posicionar em oposição a ele, o caminho para a dominação irrefreável está aberto. Entretanto, a radicalização que o iluminismo trouxe para o pensamento humano, obrigando a aplicação do método científico e impossibilitando que qualquer outro discurso tivesse validade para enfrentá-lo, acabou completamente com o caráter imaginário das interpretações do mundo.
O desencantamento é produto da primazia da técnica. O método científico é pura técnica e cálculo. O controle da natureza foi elevado ao máximo e as incertezas que o mito produzia são eliminadas pela interpretação pretensamente objetivas do método científico. É assim que o projeto da modernidade pode ser definido como o desencantamento do mundo e o conhecimento se torna cada vez mais uma fonte de poder.

https://radioxradio.org/radios/sol-y-verde/

Visite o link para conhecer uma experiência real.



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sábado, 25 de maio de 2013

A música de Brian Eno é como olhar a paisagem. Há um horizonte profundo e a medida que caminhamos, se reconfigura. O olhar é repleto de detalhes, apesar da falsa sensação de permanência.
http://youtu.be/6UDA_bAlu00

sábado, 6 de outubro de 2012

O julgamento do "mensalão"

Dalmo Dallari – Acho que os básicos são estes. Primeiramente, o STF assumir uma competência que a Constituição não lhe dá. Depois, essa excessiva proximidade dos ministros com a imprensa, antecipando decisões que serão tomadas numa sessão posterior. Acho que é um comportamento muito ao contrário do que se espera, se pode e se deve exigir da mais alta Corte do país. Isso também está errado do ponto de vista jurídico...

Dalmo Dallari — Eu gostaria que a própria imprensa advertisse os juízes dos tribunais quanto ao risco do excesso de exposição. Muitas vezes a imprensa, querendo o sensacionalismo e se antecipar aos outros órgãos de comunicação, busca penetrar na intimidade do juiz. Isso é contrário ao interesse público. Não tem nada a ver com a liberdade de imprensa. Isso eu chamaria de libertinagem de imprensa.

Dalmo Dallari – Sem dúvida alguma. Eu entendo que de parte a parte está havendo erro. Os dois [STF e mídia] deveriam tomar consciência de suas responsabilidades, da natureza dos atos que estão sendo noticiados, comentados, para que não se dê este ar de teatro que estamos assistindo.

Às vezes uma divergência entre ministro parece clássico de futebol, um Fla-Flu, um Palmeiras-Corinthians. Entretant
o, quem acompanha a área jurídica, sabe que é normal divergência entre os julgadores.

É por isso que a própria Constituição brasileira – e não só brasileira, isso é universal –, as constituições preveem tribunais coletivos, porque se pressupõe que é preciso um encontro de opiniões para que, com equilíbrio, independência, colocando os interesses da Justiça acima de tudo, se chegue a uma conclusão majoritária.

Nem é necessário que as conclusões sejam todas unânimes. Existe, sim, a previsão da conclusão majoritária, o que implica o reconhecimento de que haverá divergências.





Dalmo Dallari — Isso é muito sério. Leva à conclusão de que houve uma interferência na formação da opinião do ministro. Ele não agiu com absoluta independência, com a discrição, a reserva que se pressupõe de um ministro de um tribunal superior.

Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou com todas as letras o que o ministro Joaquim Barbosa iria dizer no seu voto naquele dia (leia
AQUI e AQUI).

Como é que esse jornalista sabia antes o que o ministro iria dizer? Esse jornalista participou da elaboração do voto, da intimidade do ministro, quem sabe até inferiu nele? Será que sugeriu use esta palavra e não aquela? Ou, pior, sugeriu algum encaminhamento?

Como o ministro Joaquim Barbosa disse exatamente o que o jornal havia antecipado (leia AQUI e AQUI), ficou comprovado que ele permitiu a presença do jornalista no momento em que ele estava elaborando o seu voto.

Isso é absolutamente inadmissível, compromete a boa imagem do Judiciário, a imagem de independência e imparcialidade. Portanto, houve, sim, um erro do órgão de imprensa, mas houve, sem dúvida, um erro grave do ministro que se submeteu a esse tipo de participação.